A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio de investigação conjunta envolvendo a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher e a 2ª Delegacia de Polícia de Barra do Garças, com apoio técnico-científico da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), conseguiu identificar uma ossada localizada às margens da BR-070, vinculando os restos mortais ao desaparecimento de Amanda Marques Lobato, registrado no ano de 2022.
Amanda tinha 18 anos quando desapareceu. Conforme Boletim de Ocorrência nº 2022.75750, o desaparecimento foi registrado em 21 de março de 2022, constando como data do fato 13 de março de 2022, em Barra do Garças.
Desde então, o caso permaneceu sob investigação, com a realização de diligências destinadas à localização da jovem e ao esclarecimento das circunstâncias de seu desaparecimento.
Localização da ossada
No curso de outra atuação investigativa, uma equipe da 2ª Delegacia de Polícia de Barra do Garças localizou uma ossada humana às margens da BR-070.
Durante os trabalhos realizados no local também foi encontrado um projétil de calibre .32, vestígio que foi devidamente considerado no contexto investigativo e pericial. A presença do projétil, isoladamente, não permite estabelecer a causa da morte, circunstância que depende da análise conjunta dos elementos periciais e investigativos.
Os restos mortais foram encaminhados para os procedimentos de Antropologia Forense, inicialmente na condição de vítima não identificada.
Detalhe observado na ossada levou investigadores à família
Durante a análise do caso, a equipe policial observou na região da canela da ossada uma característica compatível com possível lesão ou alteração preexistente.
A partir desse elemento, associado às informações existentes sobre pessoas desaparecidas na região, os investigadores levantaram a possibilidade de que os restos mortais pudessem pertencer a Amanda Marques Lobato.
Com base na experiência investigativa e no cruzamento das informações disponíveis, a equipe entrou em contato com a mãe da jovem e buscou informações específicas sobre eventual lesão que Amanda apresentasse naquela região do corpo.
As informações fornecidas pela família mostraram-se relevantes e reforçaram a linha investigativa, possibilitando direcionar os procedimentos necessários para uma identificação científica.
Matéria genético da mãe foi utilizado para confronto
Para confirmar tecnicamente a hipótese levantada durante a investigação, foi realizada a coleta de material biológico da mãe de Amanda, Claudia Marques Ferreira, para confronto genético com o perfil obtido dos restos mortais.
O exame pericial confirmou a hipótese investigativa.
Conforme conclusão do laudo pericial, o perfil genético obtido da vítima até então não identificada, relacionada ao Protocolo de Antropologia Forense nº 043838/2024, mostrou-se compatível com o vínculo biológico de filha de Claudia Marques Ferreira.
As análises estatísticas apresentaram Razão de Verossimilhança (LR) de 16.228.220,54, resultado que, segundo a perícia, fornece suporte extremamente forte à hipótese do vínculo genético pesquisado.
Dessa forma, a análise científica confirmou que os restos mortais localizados pertenciam a Amanda Marques Lobato.
Investigação e ciência forense
A identificação representa o resultado da integração entre o trabalho investigativo e a ciência forense.
Um detalhe observado durante a análise da ossada, confrontado com informações obtidas junto à família, permitiu estabelecer uma linha investigativa que posteriormente foi submetida à confirmação científica por meio do exame de DNA.
O caso evidencia a importância da preservação e constante revisão dos registros de pessoas desaparecidas, do cruzamento de informações e da integração entre Polícia Civil, familiares e Perícia Oficial.
Família pode realizar a despedida
Além de representar um avanço para o esclarecimento investigativo, a identificação encerrou um período de anos de incerteza para os familiares de Amanda.
Com a confirmação da identidade e a consequente liberação dos restos mortais, a família pôde finalmente realizar os procedimentos funerários e proporcionar à jovem uma despedida digna.
A Polícia Civil prossegue com as diligências necessárias para o esclarecimento das circunstâncias da morte, buscando estabelecer, com base em elementos técnicos e probatórios, a dinâmica dos fatos e eventual responsabilidade criminal.