A declaração do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), de que a qualidade do ensino da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) “é uma bosta” desencadeou uma onda de críticas e manifestações de solidariedade à instituição. Autoridades políticas de diferentes espectros, incluindo aliados do bolsonarismo, repudiaram a fala considerada desrespeitosa e defenderam o papel histórico da universidade na formação profissional e no desenvolvimento do estado.
O deputado estadual Diego Guimarães (Republicanos), formado, mestre e ex-professor da Faculdade de Direito da UFMT, disse ter ligado pessoalmente para o prefeito para cobrar uma retratação. “A Faculdade de Direito é um patrimônio de Mato Grosso e do Brasil. Foi muito infeliz a fala do prefeito. Disse a ele que deveria se retratar e deixar claro que repudia apenas a militância política, e não a universidade em si, que tem professores sérios, técnicos sérios e alunos comprometidos com o conhecimento”, afirmou.
Na mesma linha, o deputado estadual Júlio Campos (União) destacou a relevância da instituição e criticou a postura do prefeito. Ele lembrou da mobilização política para a criação da universidade nos anos 1970 e classificou a fala de Abilio como uma “agressão moral” à comunidade acadêmica. “Minha solidariedade à reitora, aos professores, alunos e servidores da nossa querida UFMT”, declarou.
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (PSB), também se posicionou em defesa da universidade, ressaltando sua importância para a formação de profissionais em diversas áreas. “Acredito muito no ensino público e de qualidade. A Universidade Federal já formou tanta gente, inclusive o próprio governador Mauro Mendes. Poderia citar uma infinidade de desembargadores, promotores, juízes, empresários, profissionais liberais e políticos que se graduaram ali. A UFMT cumpre um papel fundamental, muitas vezes enfrentando limitações orçamentárias, mas sempre comprometida em oferecer ensino e pesquisa de excelência”, destacou.
Russi reforçou que o papel dos agentes públicos deve ser o de ampliar o acesso ao ensino superior, e não de enfraquecer instituições que oferecem oportunidades de transformação social. “Não concordo com qualquer manifestação que diminua a universidade. O nosso trabalho deve ser fortalecer o ensino público, gratuito e de qualidade, garantindo que mais jovens, especialmente aqueles sem condições financeiras, possam cursar uma universidade e melhorar de vida através da educação”, completou.
As críticas a Abilio ocorreram após coletiva na Câmara de Vereadores de Cuiabá, quando o prefeito comentava desigualdades no acesso ao ensino superior. Ao repetir críticas que já havia feito à educação na semana anterior, ele afirmou que a UFMT “tem sido uma bosta” e que o acesso às universidades públicas acaba privilegiando estudantes de escolas particulares. A declaração foi considerada ofensiva e repercutiu negativamente em diferentes setores da sociedade.