A morte de um indígena em um acidente de trânsito, na noite de segunda-feira (8), em Campinápolis (MT), desencadeou forte tensão na cidade e resultou no incêndio do caminhão envolvido na colisão. O caso mobilizou grande efetivo da Polícia Militar, que atua para evitar novos ataques e depredações.
Segundo o comandante regional da PM, tenente-coronel Jean Carlos Cabello, o indígena morreu após colidir contra a traseira de um caminhão. O local foi isolado, e as equipes da Polícia Civil e da Politec foram acionadas. No entanto, os trabalhos foram interrompidos devido à presença de dezenas de indígenas.
"Infelizmente foi um acidente, e acidentes acontecem. Agora é aguardar e esperar que os ânimos se acalmem", declarou o comandante em entrevista à Rádio Interativa na terça-feira (9).
Durante a mobilização, o caminhão envolvido no acidente foi incendiado e ficou completamente destruído. "No momento havia apenas cinco policiais – dois militares, dois civis e um da Politec – contra cerca de 50 ou 60 indígenas. Não havia como conter, os policiais tiveram que se retrair. Graças a Deus não aconteceu nada com eles, mas já houve esse prejuízo para o empresário dono do veículo", explicou Cabello.
Para conter a crise, a Polícia Militar reforçou o policiamento com equipes da Força Tática, RAIO, Inteligência, além de reforços vindos de Nova Xavantina, Água Boa e Barra do Garças. "Nossa missão é garantir a ordem pública e tentar resolver a situação de forma pacífica, negociando e conversando", completou.
A investigação sobre o acidente está sob responsabilidade da Polícia Civil. O delegado Valmon acompanha o caso e deve apurar as circunstâncias da colisão. "Pelas imagens, tudo indica que o indígena bateu na traseira do caminhão. Mas há necessidade de tempo para verificar as causas determinantes e se há alguma situação pertinente envolvendo o veículo ou o empresário", destacou o comandante.
Cabello ainda ressaltou que a rápida mobilização indígena no local do acidente está relacionada ao perfil populacional da cidade. "Quase 50% da população de Campinápolis é indígena. Por isso, em poucos momentos, o local já estava tomado. É uma situação lógica", finalizou.