Thiago Bitencourt Lanhes Barbosa, conhecido como Dr. Thiago (PL), vereador de Canarana (823 km de Cuiabá) preso no sábado (31) sob suspeita de abuso sexual infantil e produção de pornografia com adolescentes, também exercia função de médico na rede pública. Ele era servidor efetivo da prefeitura, com salário de R$ 28.911,95, conforme consta no Portal da Transparência referente ao mês de maio de 2025.
Formado em 2009 por uma universidade particular e registrado como clínico geral no Conselho Regional de Medicina (CRM), Dr. Thiago ingressou na administração pública em 2014 por meio de concurso. Atuava em uma Unidade de Saúde da Família (USF), conciliando a atividade médica com o cargo de vereador.
Histórico político e denúncias anteriores
Eleito pela primeira vez em 2020 pelo extinto Patriota (atualmente PRD), Dr. Thiago foi o vereador mais votado da cidade na ocasião, com 834 votos — o equivalente a 8,04% do eleitorado. Chamou atenção na época pelos baixos custos de campanha: declarou à Justiça Eleitoral um gasto total de apenas R$ 2.303,65, valor muito inferior ao limite de R$ 41.441,53 permitido pelo TSE.
Apesar da popularidade inicial, Dr. Thiago se tornou alvo do Ministério Público Estadual (MPE) em 2021 por suspeita de enriquecimento ilícito e dano ao erário. Um inquérito civil foi instaurado após a Prefeitura de Canarana denunciar ausência prolongada do servidor médico em seu local de trabalho. Segundo o MPE, entre janeiro e maio de 2021, o então médico deixou de bater ponto por meses consecutivos, apresentando atrasos frequentes e jornadas incompletas.
“A negligência do servidor teve início há anos, porém, agora, com a eleição para o cargo de vereador, o descompromisso tomou grande proporção”, afirmou o Ministério Público à época, com base em depoimentos e documentos da própria prefeitura.
Reeleição com menos votos e gastos elevados
Em 2024, Dr. Thiago se lançou à reeleição e obteve 509 votos — uma queda de 39% em relação ao pleito anterior — ficando em terceiro lugar na disputa. Dessa vez, no entanto, os gastos de campanha saltaram: foram R$ 39.700,00 investidos, o que representa quase 70% do teto de gastos permitido (R$ 53.823,52). A maior parte do valor foi destinada a serviços de terceiros (R$ 29.200), advocacia (R$ 8.500) e locação de veículos (R$ 2.000).
Prisão e acusações graves
A prisão de Dr. Thiago foi resultado de investigação conduzida pela Delegacia de Canarana, após denúncias de que o parlamentar mantinha relações com adolescentes e produzia material pornográfico com elas. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na casa e no consultório do vereador, onde foram encontrados brinquedos infantis, roupas de criança e acessórios sexuais como vibradores, algemas e mordaças.
As investigações indicam que o vereador mantinha uma adolescente em situação de escravidão sexual e que ela teria sido usada para facilitar o abuso de uma criança de apenas dois anos de idade.
Situação política e funcional
Dr. Thiago foi afastado da Câmara por 30 dias, conforme prevê o Regimento Interno, e deve perder o cargo de vereador em definitivo após esse prazo. Já em relação ao cargo de médico concursado, a Prefeitura de Canarana informou apenas que está colaborando com as autoridades e que acompanha o caso, sem confirmar se irá instaurar processo administrativo disciplinar (PAD).
Nota da Prefeitura de Canarana
“Desde o início, a administração municipal está colaborando integralmente com as autoridades competentes, colocando-se à disposição para todos os esclarecimentos necessários. A prefeitura reforça seu compromisso com a legalidade, a ética e a transparência na gestão pública [...].”
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