Vishwash Kumar Ramesh, cidadão britânico de 40 anos nascido na Índia, foi o único sobrevivente de um trágico acidente aéreo ocorrido na última quinta-feira (12), em Ahmedabad, na Índia, que deixou mais de 290 mortos. Ele estava no assento 11A do voo AI171 da Air India, operado por um Boeing 787-8 Dreamliner com destino a Londres, e conseguiu escapar saltando pela saída de emergência.
A informação foi confirmada por autoridades locais, como a policial Vidhi Chaudhary e o comissário GS Malik, em entrevistas à Reuters e à agência ANI. Segundo eles, Ramesh estava próximo à porta de emergência e, após o impacto, conseguiu sair sozinho da aeronave, mesmo com múltiplos ferimentos. Médicos do Hospital Civil de Ahmedabad, onde ele foi internado, relataram à Associated Press que o passageiro foi encontrado desorientado, com lesões no peito, olhos e pés, mas fora de risco.
À imprensa indiana, como o Hindustan Times, Ramesh contou que, logo após a decolagem, ouviu um estrondo e, em seguida, o avião caiu. Quando recobrou a consciência, viu corpos espalhados ao redor e correu, até ser auxiliado por alguém que o levou a uma ambulância.
Ele relatou ainda que viajava acompanhado do irmão, a quem não conseguiu encontrar após o acidente, e pediu ajuda para localizá-lo. Já à Sky News, um parente do passageiro disse que Ramesh conseguiu fazer uma chamada de vídeo logo após o ocorrido para informar que estava vivo, embora sem notícias do irmão.
O caso chamou atenção por contrariar duas estatísticas ligadas à segurança aérea. Segundo uma análise da revista norte-americana TIME, baseada em 35 anos de dados da Agência Federal de Aviação dos EUA, passageiros na parte traseira do avião teriam maiores chances de sobrevivência em acidentes, com taxas de mortalidade de 28% nos assentos centrais do fundo da aeronave, contra 38% e 39% nas áreas dianteira e central, respectivamente.
Além disso, um experimento de 2012 com um Boeing 727 reforçou essa hipótese, mostrando que a cauda do avião tende a sofrer menos danos em colisões.
Ainda assim, Ramesh, que ocupava um assento à frente das asas — região considerada de alto risco — sobreviveu, o que foi considerado surpreendente por especialistas. Ao G1, o engenheiro e doutor em gerenciamento de riscos aeronáuticos Gerardo Portela afirmou que estatísticas servem como referência, mas não determinam o destino individual de cada passageiro.
Já o piloto e instrutor George Rocha explicou que, embora os tanques de combustível estejam próximos às asas, a direção das chamas tende a seguir para a parte traseira durante um impacto, o que pode ter favorecido o sobrevivente. David Soucie, ex-inspetor da Administração Federal de Aviação dos EUA, declarou à CNN que a sobrevivência de Ramesh na poltrona 11A foi “incrivelmente surpreendente”, já que ela se localiza exatamente sobre a estrutura da asa, considerada um ponto sólido e propenso ao impacto direto.
Após o acidente, autoridades da Índia e do Reino Unido se manifestaram. O ministro do Interior indiano, Amit Shah, visitou Ramesh no hospital e prestou solidariedade às vítimas. O rei Charles III e a rainha Camilla emitiram nota dizendo estar “profundamente chocados” com a tragédia e expressaram solidariedade às famílias. O ministro britânico das Relações Exteriores, David Lammy, informou ao Parlamento que equipes de crise foram mobilizadas em Delhi e Londres para prestar apoio aos cidadãos britânicos afetados.
O voo AI171 havia decolado com 169 passageiros indianos, 53 britânicos, sete portugueses e um canadense. Testemunhas afirmaram que o avião perdeu altitude logo após deixar a pista, colidiu com construções próximas ao terminal e pegou fogo. Imagens mostraram Vishwash Kumar Ramesh caminhando em direção a uma ambulância, com fumaça ao fundo.
O modelo envolvido no acidente, o Boeing 787-8 Dreamliner, é conhecido por sua tecnologia avançada, maior eficiência no consumo de combustível e conforto para passageiros. Em operação desde 2011, esse é o primeiro acidente fatal envolvendo o 787-8. Contudo, a Boeing já vinha sendo investigada pela Administração Federal de Aviação dos EUA, após denúncias de falhas na fixação da fuselagem que poderiam comprometer a integridade da aeronave em voo. A empresa afirmou estar reunindo informações sobre o ocorrido.
A tragédia se soma ao histórico recente de problemas enfrentados pela Boeing, que ainda responde judicialmente por dois acidentes com o modelo 737 Max, que deixaram 346 mortos entre 2018 e 2019. No mês passado, a fabricante americana firmou um acordo com o Departamento de Justiça dos EUA para evitar acusações criminais, mas o pacto ainda aguarda a aprovação de um juiz e é contestado por familiares das vítimas.
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