Setenta e três mil mulheres brasileiras são acometidas anualmente por câncer de colo de útero e de mama, representando cerca de 30% de todos os diagnósticos de câncer em mulheres. Estudos demonstram que essas doenças se forem identificadas nos primeiros meses têm muito mais chances de serem curadas.
Para reforçar a importância da prevenção e do cuidado com a saúde feminina, a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus Araguaia realizou, na última sexta-feira (23), a II Jornada Outubro Rosa.
A programação reuniu 185 mulheres e ofereceu mais de 50 exames preventivos de colo do útero (Papanicolau), exames de sangue e palestras sobre o autoexame das mamas e saúde mental, além de outras atividades voltadas ao bem-estar e à conscientização.
“O encontro foi um sucesso, superou as nossas expectativas e teve uma grande adesão da sociedade mostrando que a Universidade pública tem muito a contribuir com a sociedade.” afirma organizadora do evento, professora Paula Becker Konda.
O exame, comumente conhecido como Papanicolau, é um método utilizado para identificar alterações nas células do colo do útero, que podem evoluir para um câncer. As diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero (INCA, 2016) recomendam esse exame como principal ferramenta de detecção precoce da doença, o que permite intervenções menos invasivas e aumenta significativamente a taxa de sobrevida.
Além das ações de conscientização, a II Jornada Outubro Rosa também chama a atenção para as pesquisas científicas desenvolvidas na Universidade na área da saúde. Uma pesquisa em andamento da UFMT investiga o potencial dos óleos vegetais de Camelina sativa e Thlaspi arvense, conhecidos como camelina e pennycress, na resposta imunológica de mulheres com diferentes estágios de alterações celulares do colo do útero.
A pesquisa, desenvolvida pela mestranda de Imunologia e Parasitologia básicas e aplicadas, Gabriella Gomes Pereira, investiga se substâncias presentes nesses óleos podem ajudar o organismo a combater inflamações e fortalecer a resposta do sistema imunológico. O estudo também busca entender como esses compostos agem em diferentes tipos de células, incluindo as células saudáveis e as com alterações relacionadas ao câncer.
Gabriela também destaca a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer do colo do útero, doença que tem como principal causa a infecção persistente por tipos de alto risco do papilomavírus humano (HPV), uma infecção sexualmente transmissível (IST). Segundo ela, “ os exames de rastreamento são fundamentais para identificar precocemente a infecção pelo vírus e possíveis alterações nas células do colo do útero".
Na pesquisa, todas as participantes passaram por exames de rastreamento do HPV antes de serem incluídas no estudo. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre os possíveis benefícios desses óleos naturais e descobrir se suas substâncias poderão contribuir, futuramente, para novas formas de prevenção e tratamento complementar do câncer do colo do útero. No entanto, a pesquisa ainda está em andamento, e os óleos não são considerados tratamentos comprovados contra a doença.
O evento
Além das palestras de orientação e da realização de exames preventivos, a programação da manhã ofereceu momentos de cuidado e acolhimento às mulheres, com serviços de manicure, escova de cabelo, massagens, cursos de bolos e outros serviços. As participantes também receberam brindes e puderam aproveitar um café da manhã preparado especialmente para a ocasião.
No período da tarde, a programação foi voltada aos estudantes do Ensino Médio, com atividades que aproximaram os jovens da ciência e da vida universitária. Os participantes conheceram laboratórios de pesquisa da UFMT, acompanharam práticas de produção de sabonetes e filmes de acetato de celulose, além de participarem de uma revisão de questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).