Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República neste domingo (25), após vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026. Com o resultado nacional definido, a atenção se volta também para a relação entre o governo federal e Mato Grosso, onde o candidato derrotado teve ampla vantagem nas urnas.
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula recebeu 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro somou 59.826.041 votos, correspondentes a 48,21%. Esta será a quarta vez que Lula ocupará a Presidência da República.
Em Mato Grosso, o resultado foi diferente. Flávio Bolsonaro terminou o segundo turno com 66,06% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 33,94%, segundo dados do TSE após a apuração de 100% das urnas no estado.
Flávio recebeu 1.350.912 votos, contra 694.067 de Lula. No primeiro turno, o candidato do PL havia somado 1.298.581 votos (65,15%), enquanto o petista obteve 581.681 (29,18%). Na comparação entre os dois turnos, Flávio acrescentou 52.331 votos à sua votação, enquanto Lula teve um aumento de 112.386 votos.
Apesar da vantagem de Flávio no resultado estadual, Lula foi o candidato mais votado em 11 dos 142 municípios de Mato Grosso. São eles: Acorizal, Alto Paraguai, Barão de Melgaço, Campinápolis, Jangada, Nortelândia, Nossa Senhora do Livramento, Poconé, Ponte Branca, Porto Estrela e Santo Antônio de Leverger.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, foi o mais votado em 131 municípios mato-grossenses, incluindo Barra do Garças, onde repetiu a preferência registrada no primeiro turno.
Pivetta já havia sinalizado como será a relação com o governo federal
A relação entre o Palácio Paiaguás e o governo federal é um dos pontos que devem acompanhar o próximo mandato presidencial. Otaviano Pivetta (Republicanos), reeleito governador de Mato Grosso no primeiro turno, declarou apoio a Flávio Bolsonaro durante a campanha.
Em entrevista antes do segundo turno, no dia 21 de outubro, Pivetta afirmou que respeitaria o resultado das urnas e buscaria manter uma relação institucional com Lula caso o petista vencesse a eleição. Ao mesmo tempo, criticou a atuação federal na segurança pública e cobrou maior participação da União na vigilância da fronteira entre Mato Grosso e a Bolívia.
O governador argumentou que a proteção da fronteira deve envolver as forças federais e defendeu maior participação do Exército e das Forças Armadas. Segundo ele, uma atuação mais efetiva da União permitiria ao estado concentrar recursos policiais e de inteligência no combate à criminalidade dentro do território mato-grossense.
Com a reeleição de Lula confirmada, a cobrança feita por Pivetta passa a integrar a agenda de temas que podem pautar o diálogo entre os dois governos. Até o momento, a declaração do governador indica uma disposição de manter a interlocução institucional, mas não representa, por si só, um acordo ou compromisso formal de cooperação.
Cenário político de Mato Grosso foi definido em outubro
A eleição presidencial conclui a sequência de votações de 2026 e permite observar o cenário político formado no país e no estado. Em Mato Grosso, além da reeleição de Pivetta, o eleitorado escolheu os representantes para o Legislativo estadual e federal no primeiro turno, realizado em 4 de outubro.
Em Barra do Garças, o resultado também definiu a força eleitoral dos candidatos que disputaram os cargos estaduais e federais. Adelcino Lopo (Podemos), eleito deputado estadual, recebeu 13.864 votos no município, segundo os dados da apuração eleitoral local.
A composição política eleita em outubro terá papel nas articulações dos próximos anos, especialmente em pautas que dependem de diálogo entre municípios, governo estadual e União, como segurança pública, infraestrutura e investimentos.
Com Lula reeleito e a maioria do eleitorado mato-grossense tendo votado em Flávio Bolsonaro, o desafio institucional será transformar as demandas do estado em negociações e medidas concretas com o governo federal. Os próximos posicionamentos das lideranças e eventuais anúncios de cooperação deverão indicar como essa relação será conduzida a partir de 2027.