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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2026
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Médico é indiciado após denúncias de complicações em cirurgias plásticas em Barra do Garças

Investigação envolveu quatro pacientes e identificou sequelas permanentes em duas delas; CRM-MT abriu sindicância para apurar a conduta do profissional

Redação Panorama
Por Redação Panorama
Médico é indiciado após denúncias de complicações em cirurgias plásticas em Barra do Garças
Foto: Reprodução
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Um médico que realizou cirurgias plásticas em Barra do Garças foi indiciado pela Polícia Civil por suspeita de lesão corporal de natureza gravíssima e falsidade ideológica. A investigação analisou denúncias de quatro pacientes que relataram complicações após os procedimentos. Em dois casos, exames periciais identificaram sequelas permanentes. Após tomar conhecimento das investigações, o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) anunciou a abertura de uma sindicância para apurar a conduta do profissional.

O inquérito foi conduzido pela 1ª Delegacia de Polícia de Barra do Garças e teve o relatório final elaborado em 17 de agosto de 2026. Com a conclusão dos trabalhos, o documento foi encaminhado ao Poder Judiciário para as providências legais cabíveis.

Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil, as investigações começaram após pacientes procurarem a delegacia para relatar complicações decorrentes de cirurgias realizadas principalmente em 2023. Entre os procedimentos investigados estão redução e levantamento das mamas, colocação ou substituição de próteses mamárias e lipoaspiração.

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Durante a apuração, os investigadores reuniram prontuários médicos, documentos hospitalares, registros fotográficos, exames complementares e laudos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec). Também foram ouvidos profissionais que prestaram esclarecimentos sobre os atendimentos e os cuidados pós-operatórios.

Duas pacientes tiveram sequelas permanentes

De acordo com a investigação, as pacientes relataram problemas como dores persistentes, cicatrizes, assimetrias e deformidades mamárias. Uma delas afirmou ter sofrido necrose das aréolas e dificuldades de cicatrização após duas intervenções cirúrgicas, realizadas em 2023 e 2024.

Os exames periciais identificaram sequelas permanentes em duas das quatro pacientes. Em um dos casos, foram constatadas deformidades e cicatrizes com comprometimento estético. No outro, a perícia apontou alterações permanentes nas mamas e nos mamilos.

Nas outras duas situações, os laudos não confirmaram lesão corporal de acordo com os critérios técnicos utilizados na avaliação pericial.

Investigação também apurou possível irregularidade em prontuário

Além das denúncias relacionadas às complicações cirúrgicas, a Polícia Civil investigou indícios de falsidade ideológica em um prontuário médico.

Segundo o relatório policial, durante um procedimento para retirada de uma prótese mamária, teria ocorrido o rompimento do implante. O episódio, no entanto, não teria sido registrado no relatório cirúrgico correspondente.

A investigação considerou as declarações da paciente, a prótese apresentada para exame e a documentação médica. A perícia, porém, não conseguiu estabelecer uma relação causal entre o rompimento do implante e as dores persistentes relatadas pela mulher.

Durante o interrogatório, o médico negou ter agido com negligência, imprudência ou imperícia. Ele afirmou que as complicações decorreram de fatores relacionados às cirurgias, às características individuais das pacientes e ao processo de cicatrização.

O profissional também declarou que realizou acompanhamento pós-operatório e que se colocou à disposição para realizar procedimentos reparadores quando necessários.

Ao final do inquérito, a Polícia Civil formalizou o indiciamento pelos crimes de lesão corporal de natureza gravíssima e falsidade ideológica. O indiciamento representa a conclusão da autoridade policial sobre a existência de indícios de autoria e materialidade, mas não equivale a uma condenação criminal.

CRM-MT abre sindicância

Após tomar conhecimento formal da investigação, o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso anunciou a abertura de uma sindicância para apurar a conduta do médico.

Em nota, o CRM-MT informou que o procedimento administrativo tem como objetivo analisar os fatos relatados e confirmar oficialmente a identidade do profissional indiciado, assegurando o devido processo legal e o direito à ampla defesa.

O Conselho também esclareceu que sindicâncias e processos ético-profissionais tramitam sob sigilo, conforme a legislação, e que, por esse motivo, não divulgará detalhes da apuração administrativa.

O órgão afirmou ainda que mantém atuação independente, mas pode colaborar com a Polícia Civil e o Ministério Público de Mato Grosso.

A abertura da sindicância não significa que o médico tenha sido considerado culpado pelo Conselho. Eventuais responsabilidades éticas e disciplinares dependerão do resultado da apuração.

No âmbito criminal, o caso foi encaminhado ao Poder Judiciário após a conclusão do inquérito policial. Até as informações divulgadas, não havia indicação de condenação do profissional.

FONTE/CRÉDITOS: Panorama Coletivo com informações de assessoria Polícia Civil e Semana 7
Redação Panorama

Publicado por:

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