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Sexta-feira, 05 de Dezembro de 2025
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Mato Grosso

Incêndio em lixão a céu aberto deixa Ribeirão Cascalheira debaixo de fumaça tóxica; população cobra providências da Prefeitura

Moradores relatam problemas respiratórios e sistema de saúde pode sofrer sobrecarga

Redação Panorama
Por Redação Panorama
Incêndio em lixão a céu aberto deixa Ribeirão Cascalheira debaixo de fumaça tóxica; população cobra providências da Prefeitura
Warlley Matheus
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Um incêndio no lixão municipal de Ribeirão Cascalheira (MT), ocorrido no último domingo (26), levantou uma densa nuvem de fumaça tóxica sobre a cidade e reacendeu um debate antigo — o abandono da política de gestão de resíduos sólidos e a omissão do poder público diante de um problema que se arrasta há anos.

Com o ar tomado por fumaça e mau cheiro, moradores relataram sintomas como tosse, irritação nos olhos e dificuldade para respirar. A situação tem gerado preocupação entre profissionais da saúde, que temem uma sobrecarga no atendimento de pacientes com doenças respiratórias.

Enquanto a Prefeitura atribui o incêndio a um “ato criminoso” e afirma ter registrado boletim de ocorrência, o episódio evidencia a fragilidade da estrutura ambiental do município, que mantém um lixão a céu aberto em pleno 2025, mesmo após repetidas recomendações do Ministério Público (MP-MT) e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) para encerrar esse tipo de destinação irregular.

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Em 2020, o MP-MT ingressou com Ação Civil Pública contra o município de Querência por descartar resíduos de forma ilegal. Na ocasião, Ribeirão Cascalheira foi citada nominalmente na ação como parte de um consórcio intermunicipal que, desde 2016, prometia a construção de um aterro sanitário regional — promessa que nunca saiu do papel. O documento já alertava para o risco de contaminação do solo e das águas subterrâneas, produção de gás metano (inflamável e poluente), além da proliferação de vetores de doenças como moscas e ratos.

Quase dez anos depois, nada mudou. O município continua despejando lixo a céu aberto, agora com consequências diretas à saúde pública. Moradores relatam crises respiratórias, irritação nos olhos e dificuldades para respirar. Médicos e profissionais de saúde alertam para o risco de sobrecarga no sistema de atendimento nos próximos dias, caso a fumaça persista.

A prefeita Elza Borges afirmou, em entrevista à Rádio Interativa FM, que o incêndio foi criminoso e destacou investimentos em transporte de entulhos — cerca de R$ 496 mil apenas neste ano. Segundo ela, “jamais seria feito algo assim por parte da Prefeitura”. No entanto, a explicação não convence parte da população, que cobra ações concretas e planejamento ambiental de longo prazo.

O município anunciou que passará a enviar resíduos para Água Boa, mas a medida é paliativa e não resolve o problema estrutural do descarte irregular. Ambientalistas e moradores cobram a criação de um aterro sanitário regulamentado, conforme determina a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010), e a responsabilização por anos de negligência administrativa.

Enquanto isso, a cidade segue sob o cheiro da fumaça tóxica — e sob o peso de uma história de omissão política e ambiental que insiste em se repetir.

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