Julho César Correa da Silva, acusado pela morte de Marinalva Soares da Silva em 2020, foi absolvido nesta terça-feira (23) após julgamento pelo Tribunal do Júri em Cuiabá. Os jurados reconheceram a existência do crime, mas não atribuíram a autoria a Julho, que havia sido apontado inicialmente como responsável pelo homicídio e estupro da vítima.
O caso ganhou novo rumo após um exame da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) revelar que o material genético encontrado no corpo de Marinalva correspondia, na verdade, a Reyvan da Silva Carvalho. Reyvan já está preso por assassinar Solange Aparecida Sobrinho no campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), crime que levou a imprensa a chamá-lo de “serial killer da UFMT”.
Julho havia sido preso em junho de 2021, após investigação da Polícia Civil e denúncia do Ministério Público. A prisão preventiva foi decretada sob a alegação de que ele teria sido visto com a vítima horas antes da morte. Em janeiro de 2024, a Justiça determinou sua soltura provisória, e o julgamento pelo júri popular foi mantido para este ano.
Durante a sessão, conduzida pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, o Conselho de Sentença decidiu pela absolvição, considerando que as provas colhidas posteriormente inocentavam o acusado. Em sua decisão, a magistrada determinou a baixa dos registros de antecedentes e reforçou a soberania do júri.
Reviravolta com DNA
A reviravolta ocorreu após a prisão de Reyvan da Silva Carvalho, em agosto de 2024. Ele foi apontado como autor não apenas da morte de Solange, mas também de outros crimes sexuais e homicídios em Cuiabá. O DNA dele foi comparado a vestígios genéticos encontrados em Marinalva e coincidiu com o material já armazenado em banco de dados da Politec.
O corpo de Marinalva havia sido localizado em 27 de dezembro de 2020, em um terreno baldio no bairro Parque Ohara, em Cuiabá. Ela foi vítima de violência sexual antes de ser morta. À época, Reyvan chegou a depor como testemunha e indicou Julho como suspeito, reforçando a linha inicial de investigação que agora se mostrou equivocada.
O novo suspeito
Com as novas provas, Reyvan passou a ser investigado por uma série de crimes: além dos feminicídios de Solange e Marinalva, ele também é apontado como autor de um estupro em 2021, no bairro Tijucal, e outro caso de violência sexual em 2022, no Jardim Leblon.
A Polícia Civil e o Ministério Público investigam se Reyvan pode estar ligado a outros crimes semelhantes na região.