Apesar de ainda ser a religião predominante em Mato Grosso, o catolicismo tem perdido espaço nos últimos anos. Segundo o Censo Demográfico 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 56,7% da população mato-grossense com 10 anos ou mais se declarou católica — o equivalente a cerca de 1,7 milhão de pessoas. Em 2010, esse percentual era de 63,9%, o que revela uma queda de 7,2 pontos percentuais em 12 anos.
Na contramão, o grupo evangélico foi o que mais cresceu proporcionalmente no estado, saltando de 24,1% para 30% da população no mesmo período. Isso representa aproximadamente 927 mil pessoas, consolidando os evangélicos como o segundo maior grupo religioso de Mato Grosso.
Embora esse avanço seja expressivo, ficou abaixo das projeções feitas em anos anteriores. Pesquisadores esperavam que os evangélicos ultrapassassem os católicos até 2032, o que, pelos dados atuais, parece ter se distanciado.
Outro destaque do Censo é o crescimento das religiões de matriz africana, como a Umbanda e o Candomblé. Mesmo representando uma parcela pequena, o salto foi significativo: de 0,06% em 2010 para 0,4% da população em 2022 — um aumento de mais de oito vezes, totalizando cerca de 13 mil praticantes, sendo a maioria concentrada em Cuiabá.
Os espíritas representam atualmente 1,1% da população, cerca de 33,6 mil pessoas, uma leve queda em comparação com os 1,3% registrados em 2010. Já o grupo dos sem religião também cresceu: passou de 7,6% para 8,1%, o equivalente a aproximadamente 252 mil pessoas.
Tradições indígenas e outras crenças ganham visibilidade
Pela primeira vez, o Censo incluiu uma categoria específica para as tradições religiosas indígenas, que representam 0,35% da população do estado, ou cerca de 10,8 mil pessoas. Entre os que seguem outras religiões — como judaísmo, islamismo, budismo, ortodoxia e outras — estão 3,1% dos mato-grossenses, o que corresponde a cerca de 98 mil pessoas.
Perfil por raça e escolaridade
O levantamento também traçou o perfil dos fiéis segundo raça e escolaridade. A maioria dos adeptos das principais religiões se identifica como parda: 54,6% entre os católicos, 58,6% entre os evangélicos e 52,9% entre os seguidores de religiões afro-brasileiras. Já entre os praticantes de tradições indígenas, 94,1% se autodeclaram indígenas.
Em relação à escolaridade, os espíritas apresentam o maior índice de ensino superior completo (54,2%). Por outro lado, os seguidores das tradições indígenas concentram a maior taxa de analfabetismo, com 19,5%.
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