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Sabado, 18 de Abril de 2026
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Violência doméstica leva 13 homens por dia à prisão em MT, revela delegada

Entre os dias 1º de agosto e 4 de setembro deste ano, esse tipo de crime resultou em mais de 400 prisões no estado, 71 só na Grande Cuiabá

Redação Panorama
Por Redação Panorama
Violência doméstica leva 13 homens por dia à prisão em MT, revela delegada
Foto: Reprodução
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Durante os dias 1º de agosto e 4 de setembro deste ano, 484 homens foram presos por suspeita de violência doméstica em Mato Grosso, durante a Operação Shamar. O número é grave, já que foram cerca de 13 prisões por dia de agressores de mulheres. Em Cuiabá e Várzea Grande, foram 71 prisões no período. Segundo a delegada Mariell Antonini, coordenadora de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher e Vulneráveis da Polícia Civil, o problema deve ser combatido por toda a sociedade, e não apenas pelo Estado.

“Nós temos que entender que é um problema complexo. Por isso é importante ter isso em mente: o enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher não é responsabilidade só do Estado, e sim de toda a sociedade”, destaca.

A delegada explica que, ao longo dos anos, o Estado vem promovendo ações contra a violência à mulher, com palestras, seminários e capacitação de servidores, mas o número de casos não para de crescer. Segundo ela, o que vai acabar com a violência doméstica e, consequentemente, com os feminicídios, é uma mudança cultural da sociedade.

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“É algo que não acontece do dia para a noite. Vai acontecer com a mudança da sociedade como um todo. Isso depende também do envolvimento da sociedade civil, depende de que as pessoas entendam que a formação do caráter, da personalidade, do entendimento, da cultura das pessoas é feita dentro de casa.”

Conforme Mariell, a violência contra a mulher está relacionada ao machismo, ao sentimento de controle, posse e dominação. As crianças devem ser educadas desde cedo de modo que isso não influencie sua vida adulta. “Temos o dever de passar uma educação mais igualitária para os nossos filhos. Ensinar as nossas meninas que elas têm que trabalhar fora, têm que estudar, têm que ter independência econômica. Educar para que a mulher não seja dependente emocional e economicamente do homem.”

“Nós precisamos criar também os meninos de uma forma mais igualitária, ensinando-os a lidar com emoções negativas e a não descontar em outras pessoas. Mostrar que não devem tentar controlar o corpo da mulher, como ela se veste, e que precisam saber receber um ‘não’ e ressignificar isso, mudar sua vida. Tudo isso faz parte da educação que a gente recebe dentro de casa. Então, quando eu falo em educação, é uma questão cultural, passada pelas famílias. Nós precisamos mudar isso, e isso depende do envolvimento de toda a sociedade”, acrescenta.

Violência é democrática, acontece com todas

A delegada salienta ainda que a violência contra a mulher é democrática e pode acontecer com todas, independentemente de cor, renda ou escolaridade, e geralmente começa com atos pequenos, como controle e dominação. “Ela está presente em todas as classes sociais. E começa com atos de controle, com atos de ciúme, de manipulação.”

“E a mulher vai ficando envolvida com isso, por uma questão de afetividade, dependência. Às vezes, há também a dependência financeira. A mulher vai adoecendo diante dessa circunstância de violência que sofre. Acaba entrando em depressão, em uma doença psicológica, e fica cada vez mais difícil de sair. Até porque, muitas vezes, ela se afasta da sua rede de apoio, do seu ambiente profissional, e fica dependente financeiramente.”

Após entrar nesse ciclo, rompê-lo se torna cada vez mais difícil. Por isso, no primeiro sinal, é importante ficar alerta, salienta a delegada. “No primeiro sinal de controle, de dominação, de ciúme excessivo, não aceitar, colocar um basta. Não se afastar da sua rede de apoio, dos seus familiares, ter independência financeira. Tudo isso é muito importante”, explica.

Operação Shamar

A Operação Shamar (palavra hebraica que significa cuidar, aguardar, proteger, vigiar) é promovida anualmente pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública, sendo executada nos 26 estados e no Distrito Federal. As ações ocorrem no mês de agosto, em alusão à campanha “Agosto Lilás”, de enfrentamento à violência doméstica e familiar.

FONTE/CRÉDITOS: RD News
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