Panorama Coletivo - A notícia que te conecta

Sabado, 12 de Setembro de 2026
Panorama Coletivo
Panorama Coletivo

Política

Vereador diz que médicos pedem muitos exames em Barra do Garças: “custa caro”

Dr. Paulo Raye criticou solicitações de exames que, segundo ele, poderiam ser evitadas com uma avaliação clínica mais detalhada; fala ocorreu durante discussão sobre a saúde municipal na Câmara

Redação Panorama
Por Redação Panorama
Vereador diz que médicos pedem muitos exames em Barra do Garças: “custa caro”
Foto: Reprodução
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

O vereador Dr. Paulo Raye criticou, durante a 62ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Barra do Garças, realizada nesta segunda-feira (31), o que considera uma solicitação excessiva de exames por parte de médicos que atuam no município. Segundo ele, alguns exames poderiam ser evitados a partir de uma avaliação clínica mais detalhada do paciente, além de representarem um custo elevado para a rede pública e para quem busca atendimento particular.

A manifestação ocorreu durante um debate sobre a saúde municipal e a recente saída da secretária de Saúde. Ao defender que a mudança no comando da pasta precisa resultar em alterações efetivas no atendimento, Raye afirmou que a solicitação indiscriminada de exames também contribui para sobrecarregar os serviços.

“Você precisa de uma ressonância. Sabe quanto custa uma ressonância? Quanto podia ser resolvido com um exame clínico. Com um examinar melhor o paciente”, afirmou o vereador.

Leia Também:

Na sequência, Raye criticou especificamente pedidos de exames relacionados a vitaminas e minerais. Segundo ele, há médicos solicitando exames de fósforo, magnésio, cálcio e potássio sem que, em sua avaliação, exista necessidade para todos os pacientes.

“Porque é muito fácil pedir exame. ‘Ah, eu estou com uma dor aqui. Eu vou pedir uns exames para você’”, disse.

O vereador relatou ainda ter atendido uma paciente que havia realizado uma série de exames após solicitação médica. Ao questionar quais exames haviam sido pedidos, mencionou dosagens de fósforo, magnésio, cálcio e potássio.

“Eu nunca pedi isso na minha vida. Eu sempre procurei tratar os pacientes pela sintomatologia dos pacientes”, afirmou Raye.

Durante a fala, o vereador perguntou ao colega Neto quanto custaria uma bateria de exames desse tipo. Após o parlamentar responder que não tinha acesso a esse valor por trabalhar no serviço público, Raye afirmou que o custo poderia ultrapassar R$ 3 mil.

Debate sobre exames ocorre em meio a questionamentos sobre atendimento

A declaração de Raye foi feita em meio a uma discussão mais ampla sobre a gestão da saúde em Barra do Garças. Antes de abordar a questão dos exames, o vereador havia defendido que a saída da então secretária de Saúde não deveria significar apenas uma troca de nomes, mas uma mudança efetiva no funcionamento da pasta.

Raye afirmou que considera a saída uma “perda imensa”, mas disse concordar com a substituição e esperar melhorias com a chegada da nova secretária.

“Eu quero ver mudança na saúde agora”, declarou.

O vereador também defendeu a ex-secretária ao afirmar que, durante o período em que trabalha na área da saúde, recorreu a ela em situações relacionadas a cirurgias e emergências e que, segundo sua experiência, ela era prestativa.

Na avaliação de Raye, algumas das reclamações direcionadas à Secretaria de Saúde deveriam ser atribuídas diretamente à Prefeitura, e não à secretária, especialmente quando envolvem questões que não estariam sob responsabilidade direta da pasta.

Caso de criança de 9 anos chama atenção para importância da investigação médica

A discussão sobre a necessidade e a finalidade dos exames ocorre poucos dias após a morte de uma criança de 9 anos em Barra do Garças, caso que também envolveu investigação médica por meio de exames de imagem.

Uma tomografia realizada no dia 24 de agosto, um dia antes da morte da criança, identificou uma lesão expansiva de aproximadamente 5,8 centímetros no cérebro. O exame apontou a necessidade de investigação complementar por meio de uma ressonância magnética.

De acordo com o laudo, a lesão estava localizada na região do cerebelo, na fossa posterior, mantendo relação com o quarto ventrículo. O documento também descreveu um pequeno componente cístico associado à alteração.

A tomografia, entretanto, não estabeleceu sozinha um diagnóstico definitivo. Na conclusão, o radiologista indicou três possibilidades que deveriam ser investigadas por meio de ressonância magnética: ependimoma, meduloblastoma e astrocitoma.

Segundo o prontuário médico, a criança havia procurado atendimento pela primeira vez no dia 14 de agosto, apresentando sintomas como febre, vômitos, náuseas e dor de cabeça. No dia 24, retornou à UPA e posteriormente foi encaminhada ao Hospital Municipal Milton Pessoa Morbeck, onde permaneceu internada.

A hipótese registrada naquele momento era de “encefalite viral?”, com ponto de interrogação, indicando que se tratava de uma possibilidade ainda em investigação. No dia seguinte, o quadro se agravou e a criança morreu após uma parada cardiorrespiratória.

A Secretaria Municipal de Saúde informou posteriormente que não havia registro de diagnóstico ou suspeita de meningite nos documentos médicos apresentados. O atestado de óbito registrou “encefalite de origem não especificada” como causa da morte.

Na sessão, Raye defende a necessidade de uma avaliação clínica criteriosa antes da solicitação de determinados exames. A fala, no entanto, gerou reação de outros parlamentares, que defenderam que exames podem ser necessários para identificar problemas de saúde que não são esclarecidos apenas pela avaliação clínica.

FONTE/CRÉDITOS: Panorama Coletivo
Redação Panorama

Publicado por:

Redação Panorama

Saiba Mais

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!