Com a chegada do período de estiagem em Barra do Garças, autoridades e moradores voltam a demonstrar preocupação com uma prática ainda comum em diversos bairros da cidade: a queima de lixo em quintais e terrenos baldios. Todos os anos, o problema se repete principalmente nas regiões periféricas, onde muitos moradores mantêm o hábito herdado da vida no campo, enquanto áreas abandonadas acabam transformadas em depósitos irregulares de resíduos.
A administração municipal, liderada pelo prefeito Adilson Gonçalves, realiza campanhas anuais de prevenção e combate às queimadas urbanas, alertando para os riscos ambientais e à saúde pública. Grande parte dos incêndios registrados nesta época do ano é considerada criminosa, provocada de forma proposital ou por negligência.
Bairros como Jardim Araguaia (Cohab), Pitaluga, Santo Antônio e Nossa Senhora de Fátima, localizados próximos ao Parque Estadual da Serra Azul (Pesa), estão entre os mais vulneráveis às queimadas. A vegetação seca e a baixa umidade do ar favorecem a rápida propagação do fogo, aumentando os riscos para moradores e para o patrimônio ambiental daquela região.
Mesmo antes do auge da seca, previsto para os meses de agosto e setembro, período ainda distante das primeiras chuvas, geralmente esperadas apenas para o final de outubro, os efeitos já começam a ser sentidos pela população. O ar seco contribui para o aumento dos atendimentos hospitalares, principalmente de crianças e idosos com problemas respiratórios, além de ampliar as ocorrências atendidas pelo Corpo de Bombeiros, que atua diariamente no combate aos incêndios urbanos e florestais.
Especialistas alertam que a fumaça produzida pela queima de folhas, plásticos e outros resíduos contém substâncias tóxicas que agravam doenças como asma, bronquite e alergias, além de provocar irritação nos olhos e dificuldades respiratórias. Em períodos de baixa umidade, a qualidade do ar piora significativamente, comprometendo a saúde da população.
Além dos danos à saúde, queimadas em quintais e terrenos baldios podem sair do controle rapidamente, atingindo áreas de vegetação, residências, cercas e até redes elétricas. No Centro-Oeste brasileiro, onde a vegetação seca funciona como combustível natural durante a estiagem, um pequeno foco de incêndio pode se transformar em uma ocorrência de grandes proporções em poucos minutos.
As queimadas também provocam prejuízos ambientais severos, destruindo a fauna, empobrecendo o solo e aumentando a poluição atmosférica. Outro problema é a sobrecarga das equipes de emergência, que precisam deslocar efetivos para atender situações que poderiam ser evitadas com medidas simples, como o descarte correto do lixo e a limpeza adequada dos terrenos.
Diante desse cenário, autoridades reforçam o apelo para que a população colabore, evitando qualquer tipo de queima durante o período seco. A conscientização da comunidade é considerada fundamental para reduzir os incêndios e minimizar os impactos da estiagem em Barra do Garças e região.