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Domingo, 24 de Maio de 2026
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Operação identifica planilha com previsão de ganhos milionários em fraude no TJ-MT

Documento indica possível planejamento para ampliar ganhos em esquema investigado na Operação Sepulcro Caiado

Redação Panorama
Por Redação Panorama
Operação identifica planilha com previsão de ganhos milionários em fraude no TJ-MT
Foto: Montagem/MidiaNews/Reprodução
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A Polícia Civil apreendeu na casa de Mauro Ferreira Filho, servidor do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), planilhas que, segundo a investigação, registram de forma detalhada valores, beneficiários e contas bancárias usados em um suposto esquema de desvio de recursos da conta única do tribunal.

O material foi encontrado durante a Operação Sepulcro Caiado e está descrito no relatório de indiciamento assinado pelo delegado Pablo Carneiro, da Delegacia de Estelionatos de Cuiabá. Uma das anotações chamou a atenção: a expressão “potencial de até 2 milhões”, que, conforme a Polícia Civil, indicaria uma projeção interna de ganhos superior ao valor oficialmente registrado em um processo judicial. A suspeita é que o grupo planejava alcançar esse montante por meio de manobras judiciais ou simulação de acordos e quitações.

O delegado aponta que as planilhas eram utilizadas como instrumentos de controle e planejamento financeiro, permitindo à organização criminosa acompanhar valores atuais e futuros de cada processo fraudulento. Para ele, o conteúdo revela “uma estrutura criminosa altamente organizada, com visão estratégica sobre o lucro esperado de cada ação judicial simulada”.

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Mauro Ferreira como “peça-chave”

De acordo com a investigação, Mauro Ferreira teria papel central na ligação entre o grupo e o TJ-MT. Sem sua atuação, o esquema não teria conseguido movimentar os valores desviados, afirma a Polícia. As planilhas apreendidas demonstrariam o controle sistemático que ele mantinha sobre cada processo fraudulento, incluindo registros de valores, beneficiários e contas utilizadas.

Entre os nomes citados nos documentos está o empresário João Gustavo Ricci Volpato, apontado como principal beneficiário, e suas empresas Labor Fomento Mercantil Ltda. e RV Empresa de Cobrança Ltda.

Indiciamento e andamento do caso

A Operação Sepulcro Caiado apura um prejuízo estimado em mais de R$ 21 milhões aos cofres do TJ-MT. Além de Mauro Ferreira e João Gustavo, foram indiciados os advogados Wagner Vasconcelos de Moraes, Themis Lessa da Silva, João Miguel da Costa Neto, Rodrigo Moreira Marinho e Régis Poderoso de Souza; a advogada Denise Alonso; Melissa França Praeiro Vasconcelos de Moraes; e Augusto Frederico Ricci Volpato e Luiza Rios Volpato, irmão e mãe de João Gustavo.

O caso foi avocado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decidirá se aceita ou não o indiciamento. Caso aceite, os investigados passarão a responder formalmente pelos crimes. No último fim de semana, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu habeas corpus a todos os alvos, substituindo a prisão por medidas cautelares.

Como funcionava o esquema

Segundo a investigação, os suspeitos ajuizavam ações de cobrança em nome de empresas e, sem o conhecimento das partes rés, simulavam o pagamento das dívidas com comprovantes falsos de depósitos judiciais. Mauro Ferreira, com acesso à conta única do TJ-MT, teria direcionado valores para contas vinculadas aos processos fraudulentos e liberado alvarás de forma irregular.

Foram identificados ao menos 17 processos, protocolados entre 2018 e 2022. O esquema teria perdido eficácia após o TJ-MT alterar, em 2023, o sistema de repasse de valores. Entre as vítimas estão empresários e pessoas físicas, algumas das quais descobriram ações quitadas ficticiamente, com valores muito acima da dívida real. Em um caso, uma pessoa interditada judicialmente teve o nome usado sem autorização.

Os investigados poderão responder por organização criminosa, estelionato, falsidade ideológica, falsificação de documentos, peculato, lavagem de dinheiro, entre outros crimes.

FONTE/CRÉDITOS: Mídia News
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