A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), considerada a 44ª melhor instituição de ensino superior do Brasil e entre as 8,2% melhores do mundo segundo o ranking internacional Center for World University Rankings (CWUR) 2024, virou alvo de duras críticas do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL). Para ele, a universidade teria deixado de lado o compromisso com a qualidade de ensino e estaria “dominada pela militância de esquerda”.
Nas redes sociais, Abilio afirmou que a prioridade da instituição não tem sido a formação acadêmica, mas a ideologia política. “O momento que a universidade tem passado, o momento que ela tem chegado, é onde a militância política partidária parece ser a prioridade. Tem a senhora que foi assassinada dentro da própria universidade, está tendo muito roubo, muito problema com a insegurança dentro da própria instituição. Nós ainda temos aí uma série de militâncias políticas dentro dessa instituição, muito mais para uma vertente ideológica, muito mais entregue às vertentes da esquerda”, declarou.
O prefeito também criticou a Reitoria por não executar emendas parlamentares que destinou quando ainda era deputado federal. Segundo ele, projetos foram paralisados devido à greve de servidores. Além disso, disse que a instituição “não consegue sequer realizar a limpeza do campus” e lembrou episódios em discutiu com professores, como durante a Conferência Municipal de Saúde, quando repreendeu uma docente por usar pronome neutro (“todes”) em palestra.
Apesar das críticas, o prefeito não mencionou o reconhecimento nacional e internacional da universidade. Segundo o CWUR, a UFMT se destaca em quatro coisas: educação, empregabilidade de seus egressos, qualificação do corpo docente e volume de pesquisa científica. A instituição obteve 67,2 pontos na avaliação geral e figura na 1.708ª posição entre mais de 20 mil universidades analisadas no mundo.
Além do prestígio acadêmico, a UFMT cumpre papel essencial no desenvolvimento regional. Mantém programas de iniciação científica, projetos de extensão voltados à comunidade, moradia estudantil para jovens de baixa renda e iniciativas de reconhecimento acadêmico, como a concessão do título de Doutor Honoris Causa e o Prêmio Prof. Severino Meirelles de Mérito Científico.
Para amenizar a situação, Abilio garantiu que não teve intenção de generalizar a crítica. Segundo ele, o problema é o domínio da esquerda na UFMT. “Existe muita gente boa dentro da universidade. Existe muito professor bom dentro da universidade. Existe muito estudante bom dentro da Universidade Federal que tem resistido contra uma certa ideologia destrutiva que tem tomado conta daquela instituição. Lembre-se, a Universidade Federal de Mato Grosso não pode se posicionar por um partido político. Isso nós não podemos aceitar”, concluiu.
Abilio, que é formado em arquitetura e urbanismo pela Unic, tem criticado a educação em todos os níveis. Na semana passada, protagonizou outra polêmica ao expor alunos da rede estadual que “fizeram o L” e não responderam quanto é 4x4.