Panorama Coletivo - A notícia que te conecta

Sabado, 31 de Outubro de 2026
Panorama Coletivo
Panorama Coletivo

Justiça

Justiça anula empréstimo feito em nome de indígena semianalfabeta em Barra do Garças

Decisão reconhece vício no contrato e aponta falhas legais cometidas por instituição financeira

Redação Panorama
Por Redação Panorama
Justiça anula empréstimo feito em nome de indígena semianalfabeta em Barra do Garças
Foto: Freepik
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

A Justiça de Mato Grosso anulou um contrato de empréstimo consignado feito em nome de uma idosa indígena e semianalfabeta, moradora de Barra do Garças. A decisão foi tomada por unanimidade pela Terceira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça (TJMT), que determinou ainda a devolução — com correção monetária — dos valores descontados do benefício previdenciário da mulher.

Segundo os autos, a idosa alegou que jamais solicitou o empréstimo e se disse vítima de fraude. Ela relatou que agentes ligados à instituição financeira costumam visitar comunidades indígenas oferecendo empréstimos sem explicar claramente as condições dos contratos — e muitas vezes sem que os valores sequer cheguem às mãos dos supostos contratantes.

A defesa do banco apresentou uma cópia do contrato, mas o documento foi considerado inválido. Isso porque, de acordo com o artigo 595 do Código Civil, contratos assinados por pessoas analfabetas exigem assinatura "a rogo", feita por terceiro, com a presença de duas testemunhas. No caso em questão, havia apenas a digital da suposta contratante e a assinatura de uma única testemunha.

Leia Também:

A relatora do processo, desembargadora Antônia Siqueira Gonçalves, destacou que o contrato não atende às exigências legais e deve ser considerado nulo. “Havendo vício de consentimento, e considerando que o negócio nulo não se convalesce com o tempo, é inafastável a declaração de nulidade do contrato de empréstimo consignado, e de quaisquer renegociações dele decorrentes”, afirmou.

Apesar de reconhecer a nulidade do contrato e determinar a devolução dos valores descontados, os desembargadores definiram que a restituição deve ocorrer de forma simples, e não em dobro, por não haver provas de má-fé por parte do banco. Também foi negado o pedido de indenização por danos morais, com base no entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de que a simples cobrança indevida não gera, por si só, o direito à reparação — salvo se houver demonstração de abalo psicológico ou inscrição indevida em cadastros de inadimplência, o que não ocorreu no caso.

Como o recurso foi parcialmente aceito, os magistrados determinaram a divisão proporcional das custas processuais e honorários advocatícios, conforme previsto no artigo 86 do Código de Processo Civil. A parte autora, no entanto, permanece isenta do pagamento imediato por ser beneficiária da justiça gratuita.

FONTE/CRÉDITOS: Folhamax
Comentários:
Redação Panorama

Publicado por:

Redação Panorama

Saiba Mais

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!