A faixa de areia da Praia Quarto Crescente, em Aragarças (GO), apresentou ampliação visível nos últimos meses, após um período marcado por restrições judiciais e medidas voltadas à recuperação ambiental da área. O local, um dos principais pontos turísticos da região do Araguaia, esteve no centro de disputas judiciais relacionadas a intervenções consideradas irregulares em Área de Preservação Permanente (APP).
Na quarta-feira (3), representantes da administração municipal realizaram uma visita técnica à praia para acompanhar as condições ambientais do local e discutir os preparativos para a temporada de 2026.
A situação da Quarto Crescente ganhou repercussão nos últimos anos após ações do Ministério Público de Goiás apontarem supressão de vegetação ciliar, movimentação de terra, alterações na faixa marginal do Rio Araguaia e outras intervenções sem a devida regularização ambiental. As denúncias resultaram em decisões judiciais que suspenderam atividades na área e determinaram a adoção de medidas de recuperação ambiental.
Em 2025, a Justiça chegou a manter a suspensão de intervenções na praia, destacando a necessidade de estudos técnicos mais aprofundados e do cumprimento das exigências ambientais para utilização da área. Na época, a magistrada reconheceu a importância econômica e turística da temporada de praia para Aragarças, mas ressaltou que a atividade deveria ocorrer dentro dos parâmetros estabelecidos pela legislação ambiental.
Já em 2026, uma decisão do Tribunal de Justiça de Goiás autorizou a realização da temporada de forma controlada, suspendendo parcialmente uma sentença anterior que proibia o evento. A liberação, no entanto, manteve restrições importantes, como a proibição de novas intervenções físicas, terraplanagem, supressão de vegetação e circulação de veículos em áreas protegidas.
Segundo avaliações feitas no local, a ausência de intervenções em áreas sensíveis contribuiu para a recuperação natural da praia e para o aumento da faixa de areia observada atualmente.
Apesar da expectativa de retomada da movimentação turística, a situação ambiental da Quarto Crescente continua sendo acompanhada pelos órgãos competentes e pelo Judiciário. Entre as exigências já determinadas estão a recuperação de áreas degradadas, a proteção da vegetação ciliar e a adoção de medidas que reduzam impactos sobre o Rio Araguaia.
A discussão envolve dois interesses que precisam caminhar juntos: de um lado, a importância da temporada de praia para a economia local; de outro, a necessidade de preservar um dos principais patrimônios naturais da região. Especialistas e órgãos ambientais defendem que o turismo só pode ser sustentável quando ocorre com respeito aos limites ambientais da área, especialmente em regiões sensíveis como as margens do Rio Araguaia.