O curta-documentário “Divino: Sua Alma, Sua Lente”, dirigido por Clea Torres e Gilson Costa, será lançado oficialmente no próximo 17 de dezembro, no Centro Cultural Valdon Varjão, em Barra do Garças (MT). A produção celebra a trajetória do cineasta Xavante Divino Tserewahú, referência nacional e internacional do cinema indígena.
Financiado com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio do Governo de Mato Grosso, SECEL/MT, Ministério da Cultura e Governo Federal, o filme vem sendo apresentado previamente em escolas da cidade, como a Escola Militar Dom Pedro II – Dep. Norberto Schwantes, no bairro Piracema, e o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), aproximando estudantes da história e da luta audiovisual do povo Xavante.
Um marco na memória audiovisual indígena
Formado pelo projeto Vídeo nas Aldeias, Divino começou sua caminhada em 1990, quando a comunidade de Sangradouro recebeu sua primeira câmera VHS. Desde então, atua registrando o cotidiano, os rituais e as transformações de seu povo — e transformando, junto com isso, a forma como o Brasil e o mundo enxergam a produção audiovisual indígena.
Sua obra, exibida em mostras e festivais ao redor do planeta, é considerada um marco para o cinema etnográfico e a resistência cultural dos povos originários. Entre os trabalhos mais premiados estão “O Poder do Sonho — Wai’a Rini” (2001) e “Wapté Mnhõnõ — A Iniciação dos Jovens Xavantes” (1999), referências internacionais e pilares do cinema indígena contemporâneo.
Olhares que preservam história
Para a diretora Clea Torres, o filme é uma homenagem e também um registro histórico de valor inestimável.
“Divino é um mestre cultural que revolucionou o cinema indígena no Brasil. Em suas obras estão preservadas memórias que já não podem mais ser vistas nas aldeias. Seu trabalho fortalece a cosmologia e a identidade do povo Xavante”, afirmou.
O codiretor e roteirista Gilson Costa, professor da UFMT e pesquisador do cinema indígena, reforça que a produção Xavante rompe com padrões tradicionais.
“O olhar dos cineastas indígenas cria narrativas singulares, que escapam ao modelo documental moderno e reafirmam cultura, identidade e resistência”, destacou.
Gilson é autor da tese “A’UWẼ HOIMANADZE: Práticas de Resistência na Produção Audiovisual Xavante” (2019), obra de referência na área.
Sobre os diretores
Clea Torres é jornalista, produtora e documentarista formada pela UFMT. Dirigiu o documentário “Território: Nosso Corpo, Nosso Espírito” (2019), que traz o olhar das mulheres Xavantes sobre o movimento indígena.
Gilson Costa é Professor da UFMT, doutor em Estudos de Cultura, coordenador do Núcleo de Produção Digital da universidade. Dirigiu “Xavante: Memória, Cultura e Resistência” (2016), premiado em festivais brasileiros.