O documentário ”Divino: Sua Alma, Sua Lente” conquistou dois Kikitos na 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado, na última sexta-feira (21). A produção foi premiada na categoria Curta-Metragem como Melhor Montagem, atividade coordenada pelo professor Gilson Costa e a estudante de Jornalismo da UFMT, Campus Araguaia, Thamires Coelho. O filme também ganhou na categoria Júri Popular. O festival de Gramado é um dos eventos mais relevantes para a indústria do cinema nacional.
”Divino: Sua Alma, sua lente” é um documentário feito a partir da visão e vivências do Xavante Divino Tserewahú. O filme foi produzido na Terra Indígena Sangradouro, localizada a 450 km de Cuiabá, e mostra a preservação da cultura Xavante, a partir de fotografias e filmagens produzidas durante anos por Divino Tserewahú.
A direção é de Cléa Torres e Gilson Costa, com codireção de Divino Tserewahú. O documentário, com duração de 21 minutos, disputou a categoria de Curta-Metragem contra outros 12 trabalhos, em um universo de aproximadamente 1000 inscritos.
O filme foi produzido com recursos do edital da Lei Paulo Gustavo, em parceria com o Núcleo de Produção Digital (NPD) e a equipe de produção foi formada por professores, estudantes e egressos do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso, Campus Araguaia, além de outros profissionais da região.
Ao receber a estatueta Kikito, Gilson Costa destacou o prêmio como um marco para o cinema mato-grossense. “Um curta-metragem produzido fora da capital, conquistou de forma inédita o prêmio no Festival de Cinema de Gramado, evidenciando o amadurecimento da produção audiovisual regional e a importância de levar histórias e povos indígenas do Araguaia para o cenário nacional”, declarou.
O codiretor Divino Tserewahú, ressalta a importância desse documentário para o reconhecimento do povo de Sangradouro no cinema nacional.“É uma honra para mim, a cultura Xavante, a trajetória do meu povo está sendo reconhecida”, afirmou.
Já a diretora do documentário, jornalista Cléa Torres, destaca a importância do financiamento público para que essas produções aconteçam. “Nós trabalhamos quando conseguimos captar orçamentos, não só para pagar a produção do filme, mas também para pagar minimamente os profissionais envolvidos”.