A colheita da segunda safra de milho está prestes a começar em Barra do Garças, com previsão para se iniciar entre os dias 12 e 14 de junho. Apesar do leve atraso em relação aos últimos anos — causado pelo início tardio do plantio — as expectativas são bastante positivas. A estimativa média na região é de produtividade superior a 6 toneladas por hectare, o equivalente a cerca de 100 sacas por hectare.
Segundo o engenheiro agrônomo e gerente de unidade agrícola na região, José Domingos Teixeira, em entrevista ao portal Notícias Agrícolas, o clima contribuiu para o bom desenvolvimento das lavouras, mesmo com chuvas recentes que, embora pouco influentes para o milho, beneficiaram a pecuária local ao melhorar a qualidade dos pastos.
Enquanto os primeiros hectares ainda aguardam o momento ideal de colheita, produtores que apostaram em feijão-caupi já iniciaram os trabalhos. O restante deve seguir o ritmo após a primeira quinzena de junho, principalmente ao longo da BR-158, que corta o Vale do Araguaia.
Comercialização cautelosa
Apesar da boa perspectiva de produção, os produtores da região têm adotado uma postura mais cautelosa em relação à venda do milho. Com os preços retraídos, muitos estão segurando o produto à espera de melhores condições de mercado.
Segundo José Domingos, cerca de 40% da produção deve ser absorvida internamente no Estado do Mato Grosso, principalmente pela pecuária, enquanto o restante será direcionado à exportação. A logística segue como um desafio, especialmente com a limitação da capacidade de armazenagem, mas a melhoria nas rodovias e o escoamento da soja têm ajudado a abrir espaço para o milho.
Planejamento para a próxima safra
O olhar do produtor da região já está voltado também para a safra 2025/2026 de soja. Faltando cerca de 90 dias para o início do plantio, a preparação já começou. A chegada de fertilizantes, a correção do solo e o planejamento técnico estão entre as prioridades nas propriedades rurais.
“A soja é a rainha das culturas e o produtor precisa estar preparado. Ele tem que ser o ‘pole position’ da própria semeadura — quem larga na frente, não come poeira”, afirmou Zé Domingos, em analogia com a Fórmula 1.
Por fim, ele ainda reforça um alerta: a qualidade da semente é o ponto de partida para uma boa safra. “Não existe lavoura sem semente. É preciso muito cuidado com isso para garantir uma excelente semeadura”, concluiu.
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