Na última quinta-feira (16), o povo A’uwe Uptábi – Xavante, de Barra do Garças, celebrou um marco histórico ao realizar sua primeira entrega de alimentos ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). A comunidade da aldeia Nossa Senhora de Fátima, na Terra Indígena São Marcos, forneceu alimentos cultivados e produzidos localmente para a merenda escolar dos alunos da Escola Estadual Indígena Ulisses Guimarães.
Foram nove produtores participantes, em sua maioria mulheres — principais responsáveis pelos cultivos na aldeia —, que entregaram 12 tipos de produtos como abacaxi, banana, mandioca, cará, farinha, frango caipira, peixe, batata-doce, amendoim, feijão, arroz, além de pão caseiro e bolo de arroz. Ao todo, quase 78 quilos de alimentos foram entregues, demonstrando o potencial produtivo e o compromisso da comunidade quando tem acesso às políticas públicas.
O PAA indígena é executado com recursos do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), e conta com o apoio técnico da EMPAER-MT, SEAF e Coordenação Regional Xavante da Funai. A Prefeitura de Barra do Garças e a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) também são parceiras, contribuindo com ações de incentivo à produção agrícola nas aldeias.
O trabalho conjunto entre instituições busca enfrentar a insegurança alimentar entre os povos indígenas, promovendo capacitação, fortalecimento da agricultura familiar, resgate de práticas tradicionais e incentivo à produção sustentável.
Para Rosimeire da Silva, técnica responsável pela articulação interinstitucional do projeto, "os resultados alcançados representam também o sucesso do trabalho interinstitucional mas aldeias Xavante. Somente com os braços dados entre instituições e comunidades traremos resultados sustentáveis e duradouros", completou.
Para o povo Xavante, o momento representa mais que um avanço econômico — é a reafirmação de sua autonomia e de seus saberes ancestrais. A comercialização direta com o poder público garante renda, valoriza o modo de vida tradicional e motiva as novas gerações a permanecerem nas aldeias, preservando o conhecimento e a cultura de seu povo.